terça-feira, 22 de setembro de 2009

Desventuras de Tardes Tediosas - Parte IV

Quando ela era mais nova, se lembrava claramente que adorava gastar seu tempo com ambos os pais. Sentava-se entre eles no amplo sofá da sala e os obrigava a passar as tardes nebulosas assistindo desenhos animados. Nas tardes de sol, os arrastava até qualquer parquinho que houvesse e não permitia que eles se afastassem demais, ou tivessem seus momentos a sós. Apesar disto, eles sempre estavam sorrindo. Boa parte do tempo, a abraçavam calorosamente, e riam em uníssono. Faziam piqueniques na cozinha quando a mesa parecia muito chata, e tomavam café da manhã na hora do jantar quando não tinham fome o suficiente.

Aquela era sua rotina, escola, amigos e risadas em casa. Um dia, simplesmente, seu pai não sorriu mais. Suas respostas eram ríspidas, seus modos grosseiros. Sua mãe e ele discutiam quase sempre. Ou melhor, a mãe dela discutia, o pai parecia ignorá-la completamente. Desde então, ela passou a passar o máximo de tempo possível no colégio. Evitava ficar em casa. Via o sol se por com os meninos no campinho de futebol, apesar de ser péssima nisso. Voltava pra casa na hora do jantar, e subia para o seu quarto, para estudar. Fechava a porta e ligava o som no volume mais alto, para não ouvir os gritos e as lágrimas.

Quando abriu os olhos, todo seu corpo estava doendo e paralisado. Estava deitada de barriga para cima encarando a copa das árvores. O cabelo molhado deixava sua nuca gelada, mas havia algo cobrindo o corpo imóvel. Piscou algumas vezes até conseguir respirar profundamente e mover os braços, apoiando-se nos cotovelos e olhando ao redor. Havia uma manta de lã sobre seu corpo, aparentemente feita por retalhos de várias outras mantas. Estava entre árvores altas e densas, e ainda conseguia ouvir o som de uma chuva rala caindo bem acima de sua cabeça. Há quatro passos havia uma fogueira acesa, crepitando cuidadosamente na escuridão da floresta. Os dois rapazes que havia visto mais cedo estavam sentados ao redor dela, conversando calmamente, sorrisos negligentes nos lábios rachados.

-Bom dia, bela adormecida – falou o rapaz que havia tampado sua boca e apontado uma arma para sua cabeça.

Foi mais rápido do que ela, sua mãe ergueu-se até sua testa e esfregou-a, buscando o buraco que deveria estar ali, ou ao menos alguma atadura. Não havia nada, nem mesmo sangue seco ou algum relevo anormal. Os dois riram baixinho.

-Incrível como nossos ouvidos nos pregam peças, ham? – ele disse, lambendo os lábios sinuosamente até que, repentinamente, o som que havia atordoado seus ouvidos e feito-a cair de joelhos soou novamente. O som vinha de dentro da boca dele, moldado pelos lábios. – Bem legal, não acha?

-Legal? – ela exclamou nervosamente. – Eu diria de mal gosto, isso sim!

Os dois riram baixinho, o mais novo deu de ombros.

-As garotas são sempre as chatas.

-E os garotos os idiotas.

Os dois se encararam por alguns minutos, da mesma maneira que ela encarava os garotos da escola que resolviam comprar briga com ela ou com alguns dos outros “nerds”. E nesses momentos sempre existe um observador, que, após um minuto se cansa, e ri, faz um comentário desconfortável ou simplesmente se afasta. Desta vez, o observador riu da situação e tirou um pedaço de madeira que tinha um pedaço de carne espetado de dentro da fogueira.

-Esta pronto – ele falou, indo até ela e estendendo o espeto. –Não é exatamente a melhor coisa que você já comeu, mas aposto que esta com fome. – ela fitou desconfiada o pedaço de carne, hesitando em esticar a mão e pegá-lo. – Aliás – ele falou, quando ela finalmente segurou o graveto – Eu sou Dimitri, e esse é Hani.

Os olhos de mel encararam os olhos de quartzo na penumbra criada pela luz incerta do fogo. Quando ele estava virando-se, a voz dela nasceu do fundo da garganta e saiu rouca.

-Sarah – ela disse, fazendo-o virar a cabeça e olhá-la novamente. –Meu nome é Sarah.

As bochechas brancas se tornaram rosadas quando ele mostrou um sorriso estreito e provocador.

-Muito prazer, estrangeira.



"Ela tentou abrir a boca e dizer uma dezena de palavras deseducadas, mas o sangue escorreu pelos dentes e pelos cantos de seus lábios. Tossiu bastante até ofegar e abaixar a cabeça, desistindo de tudo aquilo." - sem título ainda.

Desculpem-me pela demora x3~ Mas agora estou de volta...Me aguardem.


-Meu nome não é Níh;



2 comentários:

eu disse...

fuck sake, why do you always make me curios?

Diego disse...

Velho, nunca deixei comentários, que vergonha. Amor, continua essa história, faz um livro e vende!! PQP, tá muito bom!!!

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